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reportagem sobre X Cuarto Los Valles

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Edição emitida a 8 de Agosto de 2009
Sumário:

1- «Romance De La Pastora Perdida»
Hector Braga [E]

{ reportagem sobre X Cuarto Los Valles }

2- «Los Kaminos De Sirkeci»
Milo Ke Mandarini [E]
3- «Valse Des Marins»
Ondara [E]
4- «Las Tres Polquetes»
Amanida Folk [E]
5- «Medieval»
Els Berros De La Cort [E]
6- «Ó Ti Ó Tiri Titi»
Toques Do Caramulo [P]
7- «À Saída Do Carro»
Toque De Caixa [P]

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Observando de Fora

Trazemos nesta 221ª edição a reportagem que registamos na nossa última passagem pela serrana localidade asturiana de Navelgas, onde assistimos ao décimo aniversário do Concurso Internacional de Música Folk Cuarto de Los Valles (do qual ainda deixamos uma foto-reportagem). Dividido em duas partes (prova para bandas de grande formato e competição para ensambles de pequeno formato), decorreu entre os passados dias 24 e 25 de Julho e teve ainda o júri mais numeroso de sempre (e presidido pelo Mário Correia). No grande formato, Amanida Folk, Els Berros de La Cort (ambos da Catalunha) mediram forças com os lusos Toques do Caramulo; já no pequeno formato, o asturiano Hector Braga levou a melhor sobre os Milo Ke Mandarini (Toledo) e Ondara (Barcelona). Mas vamos por partes:
Os Amanida Folk, variando entre influências balcânicas e celtas, apresentaram uma formação amadurecida e uma proposta musical (repleta de composições equilibradas e atractivas) que aqueceu e empolgou quem assistiu e avaliou posteriormente. A vitória destes catalães foi incontestável.
Já Els Berros de La Cort (de Girona), na linha de Corvus Corax ou Barbarian Pipe Band (pelos vistos, a 'onda medieval' ganha cada vez mais adeptos), apresentaram uma interessante mescla de luz, som e cenário apropriados (vestimentas e tudo) às suas 'ganas' de "derrubar muralhas". Foram talvez a proposta mais 'intensa' da noite do concurso e mostraram estarem talhados para animar (e fazer vibrar) qualquer grande festival.
Sobre os nossos bem conhecidos Toques do Caramulo, uma vez mais apresentaram-se no seu peculiar estilo descontraído, tendo o 'inevitável' Luís Fernandes enfiado algumas adaptações em castelhano para o público local. Cantando a partir de um cancioneiro serrano (do Caramulo), procurou a banda de Águeda buscar pontos comuns ao tocar para uma plateia igualmente serrana. Entre o repertório habitual e algumas novidades recentemente incorporadas, como até um «The Final Countdown» lá enfiado pelo meio, ainda conseguiram que um outro batesse com pé no chão ao seu ritmo, ou acompanhasse um ou outro refrão mais simples. Infelizmente a noite já ia longa e fria... e a debandada de parte da assistência não ajudou a reflectir o 'calor' humano necessário ao encerramento do concurso.
Relativamente à prova de pequeno formato: Hector Braga, a tocar em casa e a solo o repertório do seu recente álbum «Trad.Ye», abriu e venceu esta pequena competição, surpreendentemente com uma grande empatia pela assistência e revelou-se um verdadeiro contador de estórias. Entre o romanceiro tradicional apresentado, maioritariamente constituído pelas tradicionais 'vaqueiradas' (canções brejeiras) asturianas e algumas bem 'verdes' (picantes), sobraram, pelo meio, as tiradas humorísticas do Hector (faceta que lhe desconhecíamos) e que acabaram contagiar público e júri.
Competiram com o vencedor Hector Braga os duetos Milo Ke Mandarini (Toledo) e Ondara (Barcelona) e, ambos, fizeram por mostrar atributos. A jovem banda andaluza, muito embutida nas influências mediterrânicas, com voz, cordas e percussão, deram alguma variedade ao concurso mas talvez tenham pecado pelo excesso de duração e monotonia de alguns dos temas. Todavia sobraram bons pormenores e, se vier a evoluir para trio ou quarteto futuramente, talvez venha Milo Ke Mandarini a ganhar mais 'corpo' e consistência para assim tornar-se num caso bem mais sério.
Finalmente: Ondara é um dueto (de flautas e guitarra) constituído por dois professores de música, muito habituados aos pequenos auditórios e aos espaços mais intimistas. Em Navelgas concorreram e mostraram as suas próprias perspectivas sobre o cancioneiro celta, apesar de virem de outros horizontes musicais, como a música barroca, clássica, o rock ou blues. Saíram-se razoavelmente (sobretudo a flautista Célia Gonzalez revelou experiencia) mas… tanto o júri como o público já estava por essa altura sobre o ‘efeito’ Hector Braga.
Para terminar, há a salientar ainda as actuações das bandas convidadas Llangres (Astúrias), Korrontzi (País Basco), Cambera’l Cierzu (Cantábria), durante a primeira noite, e ainda dos madrilenos La Bruja Gata na noite de encerramento do concurso e que, em conjunto com com as formações concorrentes, deram a este X Cuarto Los Valles de Navelgas contornos de um grande festival folk no seu global. É caso para dizer que, após dez anos de um bem sucedido e concorrido concurso de música folk (do qual muito dependeu o esforço e iniciativa do organizador César Castaño), Navelgas (nas Astúrias) passa a ser também conhecida através deste atractivo evento paralelo ao já localmente famoso campeonato de garimpeiros Bateo D’Oro.
Chamo ainda ao ouvinte a atenção para a estreia de OqueStrada nos nossos alinhamentos com o tema «Oxalá Te Veja», na segunda hora, e onde ainda o acompanhamos com o respectivo vídeo-clip como Video Musical da Semana.

| João Sá |

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